Descrita pela primeira vez em 1817 por James Parkinson, o Parkinson é uma das doenças neurológicas mais comuns e enigmáticas do mundo, mesmo após 200 anos de sua descoberta. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1% a 2% da população idosa é diagnosticada com a doença. Só no Brasil, aproximadamente 200 mil pessoas sofrem com esse problema.

Apesar de ser uma doença, muitas vezes, intrigante, o Parkinson provoca, na grande maioria dos casos, um sintoma específico: o tremor das mãos e pernas, mesmo durante repouso. Além disso, a doença ainda pode apresentar:

– Lentidão dos movimentos

– Alteração do ritmo intestinal

– Instabilidade postural

– Rigidez nas articulações

– Distúrbios do sono

Parkinson tem cura?

Apesar de ainda não ter uma cura definida, existem inúmeros tratamentos que amenizam os sintomas do Parkinson, aumentando consideravelmente a qualidade de vida dos pacientes.

Dentre os tratamentos mais avançados, está a Cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda, também conhecida pelo termo Cirurgia de DBS.

Segundo o neurocirurgião Eduardo Quaggio, o procedimento é capaz de controlar os principais sintomas do Parkinson, dores crônicas e, até mesmo, transtornos psiquiátricos como a ansiedade.

“A cirurgia de DBS é um procedimento de altamente tecnológico, onde se implanta eletrodos no cérebro para, através de estímulos elétricos de baixa intensidade, controlar diversos sintomas, como os movimentos involuntários”, afirma.

 Ainda de acordo com o neurocirurgião, existem diversas técnicas para o implante dos eletrodos, que variam de acordo com os sintomas e dos protocolos cirúrgicos. Daí a importância de se consultar com um especialista.

Como funciona a Cirurgia de Estimulação Cerebral Profunda?

O primeiro passo para dar início ao procedimento cirúrgico, é realizar o pré-operatório. Segundo o neurocirurgião, é neste momento que o paciente é submetido a determinados exames para o médico saber se, de acordo com os sintomas apresentados, a cirurgia é recomendada.

Caso a cirurgia seja prescrita, o paciente fará uma nova avaliação, agora com o anestesista, e realizará exames mais complexos, como a ressonância. Depois disso, a cirurgia é agendada.

Eduardo Quaggio ainda ressalta a importância de o paciente não tomar os medicamentos antiparkinsonianos 12 horas antes da cirurgia devido à preparação.

“Dessa forma, o paciente chega com os sintomas da doença bem evidentes, para que possam ser executados os testes de eficácia e posicionamento adequado dos eletrodos durante a cirurgia”, explica.

O paciente é sedado durante o procedimento e o neurocirurgião acompanha todos os movimentos dos eletrodos através de imagens de ressonância e tomografia computadorizadas. Segundo Eudardo Quaggio, são feitos um pequeno corte na pele e um furo no crânio de 1,4 cm de diâmetro de cada lado sob anestesia local.

“Quando os eletrodos são posicionados, testes clínicos são realizados com o paciente acordado. Se estiver exatamente no alvo, haverá melhora da rigidez, do tremor, além da melhora expressiva da velocidade dos movimentos solicitados. Após a recuperação, iniciamos a programação do sistema e simultaneamente vamos reduzindo a quantidade dos medicamentos antiparkinsonianos”, finaliza.

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